Reconstrução Mamária
- drvhsa
- 21 de jan.
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O Câncer de Mama é o tipo mais incidente (casos novos) entre as brasileiras (excluindo o de pele não melanoma) e também a principal causa de morte por câncer na população feminina. São estimados 73.610 novos casos em 2025 e, em 2023, foram registrados mais de 20 mil óbitos decorrentes da doença.
No Brasil, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estadios avançados. Na população mundial, a sobrevivência média após cinco anos é de 61%.
Nas últimas décadas, os avanços terapêuticos e o maior acesso ao tratamento e às ações de detecção precoce resultaram em ganhos na sobrevida das mulheres e tornaram o câncer de mama uma doença de bom prognóstico, quando diagnosticada e tratada oportunamente.
A reconstrução mamária, no Brasil, é garantida por lei desde 1999, para as pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), através da Lei 9.797/1999 e, a partir de Abril de 2013, através da lei 12.802/2013, garante a reconstrução mamária deve ser realizada nas pacientes do SUS no mesmo tempo cirúrgico do tratamento do câncer, sempre que houver condições médicas de sua realização.
A decisão de se submeter à cirurgia de reconstrução da mama é pessoal. A paciente é quem deve decidir se os benefícios atingirão suas expectativas e se os riscos e potenciais complicações são aceitáveis.
As reconstruções, em Cirurgia Plástica, costumam partir do princípio da simplicidade, ou seja, iniciamos com procedimentos de menor complexidade, como a sutura simples do defeito, passando por retalhos locais e, se necessário, retalhos à distância. Qualquer um dos procedimentos descritos pode ser associado ao uso de implantes mamários de silicone ou de expansores mamários de silicone, dependendo da extensão da ressecção e necessidade de complementação de volume para simetrização com a mama contralateral.
A colocação do implante (tanto abaixo da glândula quanto do músculo - figura abaixo) levará à formação de um tecido cicatricial ao seu redor, que chamamos de cápsula. Essa cápsula segue sendo estimulada pelo implante ao longo dos anos e pode se tornar espessa, levando a uma deformidade da mama e pode até causar dor. Quando isso ocorre, chamamos de contratura capsular e indicamos a troca do implante, com remoção parcial ou total da cápsula. Não são todas as pacientes que evoluem dessa forma, mas as pacientes devem ser orientadas sobre essa possibilidade. A contratura capsular pode acontecer precocemente (mais relacionada à realização de radioterapia) ou mesmo nunca ocorrer.



Portanto, a programação cirúrgica e definição dos possíveis tipos de reconstrução deve ser feita de forma individualizada para cada paciente, geralmente com a decisão sobre a melhor reconstrução imediata definida apenas no intra-operatório.
A associação de equipes no tratamento do câncer de mama é essencial para que se obtenha o sucesso esperado. As equipes médicas de Mastologia, Cirurgia Plástica e Oncologia devem compartilhar informações sobre o caso da paciente avaliada, com o objetivo de uma programação cirúrgica da área a ser ressecada, das possibilidades de reconstrução e se a paciente será submetida a radioterapia e quimioterapia no pós-operatório.
A partir da obtenção de todos esses dados, o cirurgião plástico pode programar as possibilidades de reconstrução mamária e orientar a paciente de maneira adequada. Não há consenso sobre qual a melhor técnica para reconstrução mamária.
O Cirurgião Plástico que se propõe a realizar esses procedimentos deve dominar os conhecimentos anatômicos e as mais diversas técnicas para oferecer a mais adequada a cada paciente.
As pequenas ressecções mamárias permitem a sutura simples da região abordada, desde que não deforme a mama ou cause uma assimetria muito aparente entre as mamas.
A possibilidade que segue a sutura simples é o uso de enxertos (fragmentos de pele de outra região do corpo para cobrir o defeito - raramente utilizado). Seguimos então com os retalhos locais para a reconstrução mamária. Retalho é um tecido composto (pele e gordura ou pele, gordura e fáscia ou pele, gordura, fáscia e músculo) que sabemos da existência anatômica de vasos sanguíneos que o nutrem.
O uso de retalhos à distância através de técnicas de rotação ou microcirurgia também é possível em casos mais complexos. Os retalhos mais utilizados são o Retalho Músculo-cutâneo de Grande Dorsal (músculo do dorso) e o Retalho Transverso do Músculo Reto Abdominal (TRAM).
O Retalho do Grande Dorsal fornece um segmento de pele da região dorsal, subcutâneo (gordura) e uma camada muscular. Nesse retalho necessitamos do uso de implantes mamários de silicone ou mesmo implantes expansores, visando complementar o volume e forma necessários para uma reconstrução mamária adequada.

O TRAM (retalho transverso do músculo reto abdominal, em inglês) transfere uma ilha de pele e subcutâneo da região infra-umbilical para a região submetida à ressecção. Os vasos que nutrem esse retalho provém do músculo reto abdominal, que é levado junto à ilha de pele. Pelo volume de tecido levado, esse retalho elimina a necessidade do uso de implantes de silicone. Podemos optar por rodar um ou os dois músculos reto abdominais durante a cirurgia, dependendo do tamanho da mama da paciente e das suas comorbidades (doenças de base).

Os possíveis riscos e complicações dos procedimentos são:
Seu cirurgião plástico e/ou assistentes irão lhe explicar, em detalhes, os riscos associados à cirurgia.
Você deverá assinar o termo de consentimento para assegurar que compreendeu plenamente o procedimento a que irá se submeter e quaisquer riscos ou complicações potenciais.
Os possíveis riscos de reconstrução da mama incluem, não se limitando, no entanto, à hemorragia, à infecção, à má cicatrização de incisões e aos riscos da anestesia.
Técnicas com uso de retalho incluem risco de perda parcial ou completa do tecido doador (retalho - tecido que migra de um local para outro) e perda de sensibilidade no local doador e no local de reconstrução,
O uso de implantes traz o risco de rigidez da mama (contratura capsular) e ruptura do implante.
As possíveis complicações, elencadas em itens, e riscos do procedimento cirúrgico são:
Cicatriz desfavorável,
Infecção,
Alterações de sensibilidade no mamilo ou na mama, que podem ser temporárias ou permanentes,
Riscos anestésicos,
Sangramento (hematoma),
Má cicatrização,
Contratura Capsular,
Contorno e forma da mama irregulares,
Descoloração da pele, alterações permanentes da pigmentação, inchaço e hematomas,
Danos em estruturas mais profundas tais como nervos, vasos sanguíneos, músculos e pulmões, podendo ocorrer de forma temporária ou permanente,
Assimetria de mama,
Acúmulo de líquido (seroma),
Rigidez excessiva do peito,
Possibilidade de incapacidade de amamentar,
Potencial de necrose da pele/tecido onde se encontram as incisões,
Possibilidade de necrose total ou parcial do mamilo e da aréola,
Trombose venosa profunda, complicações cardíacas e pulmonares,
Dor, que pode perdurar,
Alergias à fita, à sutura, a colas, a produtos derivados do sangue, a medicações tópicas e injetáveis,
Necrose da pele,
Possibilidade de novo procedimento cirúrgico.
Os implantes mamários não prejudicam a mama. Pesquisas científicas realizadas por grupos independentes não relataram nenhuma relação comprovada entre implantes mamários e doenças autoimunes e sistêmicas.
A avaliação pré-operatória com exame físico, exames laboratoriais e avaliações de outras especialidades médicas quando necessário (Mastologista e Cardiologista, por exemplo) são primordiais na realização de um procedimento seguro.
A conscientização do paciente sobre as assimetrias mamárias, também é imprescindível.
Veja também as orientações pós-operatórias.
Todos os riscos e benefícios devem ser discutidos com seu médico antes da decisão pela realização da cirurgia.
O conteúdo descrito acima não tem como objetivo substituir a consulta médica, mas sim oferecer informações coerentes, éticas e verificáveis aos indivíduos que tenham algum interesse em Cirurgia Plástica.
Procure sempre um Cirurgião Plástico habilitado e devidamente registrado na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (www.cirurgiaplastica.org.br) e no Conselho Regional de Medicina de seu Estado (CRM), com seu respectivo registro de especialidade (RQE).
Bibliografia:
1- Mélega JM. Mélega - Cirurgia Plástica Fundamentos e Arte - Volume: Cirurgia Estética. Capítulos 31-41. Páginas 435-608. Ed. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, Brasil, 2003.
2- Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Reconstrução Mamária. Disponível em URL: http://www2.cirurgiaplastica.org.br/cirurgias-e-procedimentos/mama/
Acessados em 18/01/26.
3- American Society of Plastic Surgeons. Breast Reconstruction. Disponível em URL: http://www.plasticsurgery.org/cosmetic-procedures/breast-augmentation
Acessados em 18/01/26.
4- Instituto Nacional do Câncer - INCA. Câncer de Mama. Disponível em URL: https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2025/inca-lanca-publicacao-com-panorama-do-cancer-de-mama-no-brasil
Acessado em 18/01/26.
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